quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Mapas da violência evidenciam o perigo de ser mulher, jovem negro e pobre no Brasil

Números de mortes por feminicídio e de jovens negros são alarmantes e podem ainda não condizer com a realidade devido à violência institucional.



Da redação



Recentemente anunciado como o pior país da América do Sul em termos de oportunidades para o desenvolvimento de meninas, segundo o relatório da ONG Save the Children, o Brasil segue com dados para além disso que o tornam como um país perigoso, num quadro geral, para ser mulher.
Há dez anos era sancionada no Brasil a Lei Nº 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha. Ela vinha a ser a primeira lei específica sobre violência de gênero a vigorar no país. A recente criação da lei coloca o Brasil como um dos últimos países da América Latina a aprovar uma legislação específica sobre violência contra a mulher. Isso é um motivo tanto para alegrias quanto tristezas, principalmente quando passamos a considerar os números relacionados a feminicídio em território nacional, 4.762 apenas em 2013, uma média de 3 mulheres mortas por dia, pauta que também ganhou espaço no legislativo com a Lei Nº 13.104/15, Lei do Feminicídio.
As legislações vêm em um momento crucial onde, pelos registros do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), entre 1980 e 2013, em uma escala crescente de números e taxas, morreu um total de 106.093 mulheres, vítimas de homicídio; o número de vítimas cresceu o que equivale a um percentual de 252%. Os dados mostram uma taxa que, em 1980, era de 2,3 vítimas por 100 mil mulheres, passa para o dobro em 2013. Esses dados foram os coletados e organizados para a elaboração do Mapa da Violência 2015 - Homicídio de Mulheres no Brasil.
O Mapa nos traz também a comparação com o antes e depois da aplicação da Lei Maria da Penha no país; em de 1980 a 2006, nota-se o número crescente de mulheres mortas de 7,6% ao ano, a taxa também é crescente, sendo de 2,5% ao ano. Esse número tem uma grande alteração após o vigor da Lei, caindo para 2,6 ao ano junto com o crescimento das taxas, que passa a ser de 1,7% ao ano.
Na região Norte, no período correspondente 2003-2013, os números chegaram 112,2%, o Amapá representa 26,7% desses dados, um número considerado alto. Com a vigência da Lei Maria da Penha, os números do Norte sofreram uma queda para 63,8%.
Todos estes dados estão especificados no Mapa da Violência 2015, disponível para verificação no site www.mapadaviolencia.org.br. Os números que ele nos revela mostram um cenário de periculosidade para a mulher no Brasil.
Apesar de ser um mapa essencialmente sobre mortes de mulheres em território brasileiro, ele mostra também questões relacionadas à violência sexual, doméstica e/ou outras violências que atingem mulheres, crianças e idosos.
Segundo as estatísticas, registrados pelo Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) em 2014, durante esse ano foram atendidas 223.796 vítimas de diversos tipos de violência, sendo que duas a cada três dessas vítimas eram mulheres. Segundo o próprio relatório aponta, isso significa que “a cada dia de 2014, 405 mulheres demandam de atendimento em uma unidade de saúde por alguma violência sofrida”.
Cibelle Canto é integrante do grupo feminista Marcha das Vadias, que atua no Amapá desde 2012 e se organiza contra a cultura do estupro e discussão e desconstrução do termo “vadia” que funciona como um estigma social para as mulheres. Ela atenta para o fato da romantização que as vítimas e/ou a sociedade acabam aderindo à violência que a mulher sofre e que isso faz com que muitas dessas mulheres não façam parte desse número que poderia ser muito maior.
“Toda mulher lida com vários tipos de violência, por mais que muitas não compreendam com o que estão lidando. Ainda há uma romantização das relações e da dominação e do poder que, no geral, se constitui dos homens sobre as mulheres”, explica Cibelle. “Os dados do Ministério Público apontam que em Macapá, desde 2011, a grande maioria dos crimes de violência contra a mulher tem como motivação a ‘paixão’”, conclui.
Dentro de Macapá, temos o bairro Congós, zona Sul da cidade, que hoje tem a maior concentração de crimes de violência contra a mulher denunciados. Destes casos, Cibelle explica:
“A maioria, tanto de agressores, como as vítimas, são autodeclarados pardos; isso pode nos levar a uma série de problematizações a respeito de como existe um apagamento da negritude e nos leva a reflexão das condições precárias de educação e moradia e sua interferência nos índices de violência da cidade”.
Cibelle Canto também falou sobre a violência institucional e de como isso pode tornar ainda mais complicado de oferecer ajuda à vítima, uma vez que além da violência de gênero, ela também fica exposta à violência das instituições que deveriam fornecer meios para preservá-la.
A fala de Cibelle abre campo para mais um questionamento e mais um mapa que aponta números também alarmantes: o de negros e pobres mortos no Brasil. Ela nos fala sobre o número de mulheres negras que sofrem violência de gênero no Amapá e o mapa nos mostra esse número englobando os jovens negros e pobres do país.
A relação entre jovens, negros e pobres não é tão difícil de ser visualizada. Infelizmente ela não é dada por questões como inclusão ao ensino superior ou no mercado de trabalho, mas sim pela mortalidade. Segundo o relatório de Homicídios de Jovens Negros e Pobres do Brasil, que traz dados do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/DATASUS), entre 2001 e 2011, foram 547.490 homicídios no país, sendo 34% brancos e quase 68% negros. Entre os anos de 2008 e 2011, foram 206.005 homicídios, o que nos dá uma média anual de 51,5 mil mortes, ou 141 por dia.
O SIM/DATASUS também informa que mais da metade dos 56.337 mortos por homicídio em 2012 no Brasil (53,4%) eram jovens, deste número 71,5% eram negros (pretos e pardos) e 93,4% do sexo masculino, pouca variação do ano anterior.
Estes dados nos informam um quadro que pode ser presenciado comumente em qualquer programa policialesco que está exposto nas emissoras de TV no horário do meio-dia. O temor implantado culturalmente na sociedade também é existente. Quando você pensar na seguinte situação: rua vazia, dia ou noite, não importa; você está com o celular e então vê um homem na faixa dos vinte anos passar de bicicleta, a pele dele é mais escura e você, o que sente? Se sua resposta a isso for a de medo ou alarme, você pode estar sendo coagido a pensar assim.
Os policiais também não pensam diferente. Das 644 pessoas mortas em confrontos com a polícia no Rio de Janeiro em 2015, mais de 77%, isto é, 497 pessoas eram negras ou pardas.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelou que “ser negro corresponde a [fazer parte de] uma população de risco: a cada três assassinatos, dois são de negros”, isso nos informa que o risco de uma adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que o de um branco. Esses dados apresentam um cenário de racismo institucional.
O IPEA também realizou um estudo em 2007 sobre o custo das mortes de causa extrema no Brasil. O estudo mostra que a morte de tantos jovens implica em prejuízo de investimento em capital humano e perda de capacidade produtiva do país.
Para Maciel Batista, de 18 anos, que mora na zona norte da cidade, frequenta escola pública e se autodeclara negro, os dados não são tão surpreendentes assim.
“Isso que você me diz agora eu sei, porque quando eu estudava a polícia ‘tava’ lá todos os dias e eu e meus amigos sempre de bicicleta tínhamos que parar pra eles”, explica o rapaz. “Acho que todo mundo aqui no bairro conhece algum amigo ou parente que foi ferido ou morto pela polícia, se não for isso, conhece alguma história”.
Dentro dos dois cenários citados, de mulher e de jovens, percebe-se que a violência institucional é o que os casos têm em comum. Isso talvez nos evidencie um estado de calamidade do atendimento público que, em seu papel de fornecer auxílio e amparo para as vítimas, segue oprimindo, matando e agravando a violência. A população feminina que sofre agressão, em sua maioria, enfrenta dificuldades e descrença de que conseguirá obter ajuda através de algum órgão público ou instituição destinada ao assunto, o que mascara muitos casos que acabam não entrando nas estatísticas.
Os números de jovens negros e pobres também podem não ser tão fiéis à realidade; afinal, a maioria deles sequer consegue chegar vivo para depor numa delegacia.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Banco de Leite Humano do Amapá precisa de doadoras


Banco de Leite Humano do Amapá


O leite materno é alimento essencial para os bebês. Mas há bebês que não podem ser alimentados pela própria mãe. É nesse contexto que a doação do leite materno torna-se um gesto importante para salvar a vida de muitos bebês.

O Banco de Leite Humano (BLH) do Amapá, obteve uma queda no número de doadoras. Em outubro de 2015 eram 312, em outubro deste ano o número caiu para 260, o que refletiu consideravelmente na quantidade de leite arrecadado.

O Banco de Leite conta com dois tipos de doadoras: internas e externas. Segundo a psicóloga e chefe do Banco de leite, Darcineyde Alves Dias, o número de doadoras externas diminuiu nos bairros da zona Norte de Macapá, principalmente nos bairros Novo Horizonte e Brasil Novo, que antes eram os que mais forneciam leite. Darcineyde acredita que isso acontece porque a procura só acontece quando a grande produção de leite provoca um estado crítico de dores na mulher.

"Quando a gente não consegue fazer a visita por falta de disnonibilidade da doadora, fazemos uma ligação para saber se a demanda dela foi suprida. Às vezes, ela sentiu dor de novo mas não procurou o banco de leite, então a gente fica fazendo o retorno pra incentivar que ela doe", esclarece Darcineyde Dias, chefe do Banco de Leite.

Priscylla Resque, 34 anos, mãe e uma das coordenadores do grupo Ciranda Materna - grupo de apoio ao parto e à maternidade, foi doadora nos períodos de amamentação das suas duas filhas. Na amamentação da primeira filha, só teve o contato com o banco de leite quando sofreu de martite, inflamação das glândulas mamárias, que ocorre em mulheres na fase de aleitamento materno e pode causar vermelhidão nos seios, dor e febre alta. Na segunda gestação, fez o pré-natal na esfera privada e na Unidade Básica de Saúde (UBS), mas que só recebeu esclarecimentos sobre a amamentação na UBS, no entanto acredita que o trabalho deveria ser ainda mais efetivo.

"Existem cartazes de campanhas sobre o aleitamento materno afixados nas paredes das UBS's, mas acho que tem que ter um trabalho maior com palestras somente sobre amamentação, e aí falar do banco de leite e da preparação para a amamenração", disse Priscylla.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), alerta que das cerca de 130 milhões de mulheres que dão à luz todos os anos, 303 mil morrem durante o parto. O BLH só fornece o leite para o bebê que perdeu a mãe no parto enquanto ele não recebe alta da maternidade. "Quando a mãe falece, depois da alta do bebê, o BLH só pode ajudar orientando a família a procurar o pediatra e se precisarem, informar como alimentar o bebê, explica Darcineyde Dias, chefe do BLH do Amapá.

Algumas mulheres produzem uma quantidade de leite além da necessidade do seu bebê, o que pode ser uma oportunidade para que sejam doadoras. Na maioria das vezes, a procura ao BLH surge a partir da necessidade de receber orientações sobre a maneira adequada para amamentar, pois sentem dor, mas após receberem orientações são incentivadas a doarem.

Ana Daniely Tavares, 23 anos, também integrante do grupo Ciranda Materna, precisou recorrer ao BLH quando seu filho tinha 1 ano e 3 meses. "Eu reiniciei meus estudos e ficava a manhã longe, por esse motivo meu seio direito empedrou e não pensei duas vezes, fui logo em busca de assistência", disse Ana, que sempre recomenda às mães que procurem o BLH para evitar as fortes dores nos seios por causa do leite materno.

Toda a mulher é uma possível doadora de leite humano, e para doar é importante ser saudável e não está tomando nenhum medicamento que interfira na amamentação. Antes da doação, a mãe precisa preencher uma ficha de cadastro e fazer exames como o de sífilis, HIV e hepatite, que podem ser feitos no próprio Banco de leite.

Doações

A Bando de Leite funciona 24hs no seu prédio localizado na avenida Fab, ao lado da Maternidade Mãe Luzia, no centro de Macapá. Em horário comercial há o atendimento em domicílio. Para receber o atendimento em casa, a doadora pode ligar para o número (96) 3225-8732, que uma equipe é encaminhada ao local para dar orientações sobre cadastro e coleta de leite.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Hoje se discute na universidade a produção do jornalismo em Macapá e o feminino





Jackeline Carvalho fala hoje, às 18h, na ocupação Unifap. Como as reportagens abordam as mulheres, as personagens femininas? Como as mulheres repórteres são tratadas?

Nos últimos dias, o que mais se viu nos portais jornalísticos amapaenses foram manchetes que objetificavam a mulher. Com jogos de palavras de péssimo gosto, a mulher foi diminuída, menosprezada e, muitas vezes, transformada em nada. Um exemplo foi o título da matéria “Festinha, estupro e HIV”, publicado em um site coordenado por um jornalista de renome no estado.

Não muito diferente do título, a notícia contava de forma extremamente expositiva o caso de uma moça que aceitou participar de uma festa e acabou sendo estuprada. Como se já não fosse suficiente levar ao público o fato ocorrido, ilustrado com fotos totalmente depreciativas, seu nome, idade, endereço e profissão foram revelados. 

A acadêmica de Jornalismo da Universidade Federal do Amapá, Jacke Carvalho, indignada com o conteúdo da matéria, criou um post em sua página no Facebook como um verdadeiro desabafo para falar de questões profissionais e do lado desumano quanto ao que foi publicado.  

 
Jackeline afirma que o jornalismo, por ser uma área e um instrumento de responsabilidade social, tem um dever muito maior que outros meios. E um profissional, ao transferir o machismo para um conteúdo que vai chegar na população, tem que pensar no peso extremo que isso pode causar. Primeiro porque, como pessoa comum, ele escreve por si só, mas como figura pública e como propagador de comunicação, o alcance vai muito além. É como se a misoginia e todo o preconceito chegasse à sociedade como verdade única e aceitável. E tem aqueles que realmente tomam como verdade justamente pela opinião vir de uma pessoa, em tese, conceituada e respeitada.

Hoje, na ocupação da unifap, no bloco C, de Ciências Sociais, 18h vai rolar essa conversa. Venha participar!!!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O quanto você sabe sobre a desigualdade racial no Brasil?


Cultural de abertura tem como tema "Violência contra a mulher"


O Movimento Social de Mulheres, Organizações e Instituições do Amapá se unem para dizer um basta a violência contra as mulheres! Hoje vai rolar a cultural de abertura da campanha com música, poesia, dança, exposição, performance e bebida bacana. A partir das 19h no Sankofa! 

A Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres é uma mobilização anual, praticada simultaneamente por diversos atores da sociedade civil e poder público engajados nesse enfrentamento. Mundialmente, a Campanha se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e vai até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, passando pelo 6 de dezembro, que é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Da série "Beleza negra"

Arte: Luh Costa
Veja mais sobre a artista aqui!

Por um mundo sem preconceito

Arte: Luh Belo
 Veja mais sobre a série aqui!

Livro “Mães em Luta – Dez anos dos Crimes de Maio de 2006” é lançado em SP

Livro foi lançado dentro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo na noite desta quinta-feira (17/11)


Ponte Jornalismo, com fotos de Sérgio Silva
Publicado em: 18/11/2016
Sala dos estudantes da Faculdade de Direito da USP durante o lançamento do livro – Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

O livro “Mães em Luta: Dez Anos dos Crimes de Maio de 2006”, organizado pelo jornalista André Caramante da Ponte Jornalismo e com prefácio assinado por Eliane Brum, foi lançado na noite da última quinta-feira (17/11), em um evento na Faculdade de Direito da USP, em São Paulo. A obra reúne 15 perfis de parentes de vítimas da violência policial no Brasil: 13 mães, uma irmã e uma tia de jovens assassinados.

Os autores dos perfis são os repórteres da Ponte: Luís Adorno, Luiza Sansão, Arthur Stabile, Maria Teresa Cruz, Fausto Salvadori Filho, Kaique Dalapola, Juca Guimarães, Bruno Paes Manso e Tatiana Merlino. O livro foi ilustrado pelo cartunista Junião, também da Ponte. Ainda houve a colaboração de Érica Saboya e Karla Dunder. Capa, projeto gráfico e diagração são de Silvana Martins.


Capa do livro “Mães em Luta: Dez Anos dos Crimes de Maio de 2006, parceria entre Mães de Maio e Ponte Jornalismo – Imagem: Reprodução

A publicação é uma parceria da Ponte Jornalismo com o Movimento Independente Mães de Maio. O livro é correalizado pelas Mães de Maio junto à Associação Capão Cidadão em copatrocínio com a Coordenação de Direito à Memória e à Verdade e a Coordenação de Políticas para Juventude de São Paulo da SMDHC – Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania e a área de Cidadania Cultural SP – SMC da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

O fio condutor de todas as histórias é a brutalidade do Estado e a dor da perda. Mulheres que transformaram o sofrimento em força para denunciar os crimes cometidos pelo Estado contra os jovens das periferias do Brasil. Dados reunidos por André Caramante na Introdução do livro impressionam e dão a dimensão desse problema:

“Os integrantes da Polícia Militar do Estado de São Paulo mataram 12.022 pessoas nos últimos 21 anos (julho de 1995 a julho de 2016) – o equivalente à população de uma cidade paulista como Cananéia, no litoral sul. Segundo a Seade (Fundação Estadual de Análise de Dados), órgão estatístico do governo de SP, a cidade tinha 12.236 habitantes em 2016.

Após o lançamento, houve um cortejo das Mães até a frente da Secretaria da Segurança Pública – Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

Levantamento da reportagem da Ponte Jornalismo revela que, em média, 47,5 pessoas foram mortas por PMs a cada mês no Estado, num cenário em que os policiais também são vítimas – cinco foram assassinados por mês no período.”

“Mães em Luta: Dez anos dos Crimes de Maio de 2006” humaniza essas estatísticas. A frieza dos números dá lugar ao relato de mulheres que tiveram suas vidas profundamente abaladas, como a de Débora Maria da Silva, sua história se confunde com a criação do Movimento Mãe de Maio.

Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

Maio de 2006, o mais sangrento da história democrática de São Paulo. Mais de 500 pessoas foram assassinadas em 30 dias, em decorrência das respostas dos agentes das forças de segurança aos ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), entre 59 agentes do Estado e 505 civis. Rogério, seu filho, foi uma das vítimas. Foram dias prostrada em uma cama de hospital, em choque.

– Quando meu filho me puxou da cama, ele disse: “Mãe, luta pelos que estão vivos. Eu não volto mais. Aqui não é o seu lugar, não é para a senhora ficar aí”. Foi quando comecei a ir atrás das outras mães, relembra Débora.

Foto: Sérgio Silva/Ponte Jornalismo

Terceira edição do Colóquio Comunicação e Arte: Políticas do Corpo inicia nesta sexta-feira, 25


A gente reaparece, pela terceira vez, e sabe que sobrevive porque somos tecidos em uma rede. São vários coletivos, várias gentes, várias áreas e a vontade comum de enfrentar a violência contra a mulher e contra a juventude. Nossa pauta é a violência. Nossa luta é pela vida.

Este ano o Colóquio acontece durante os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres. Começamos dia 25 de novembro e vamos até 10 de dezembro. Neste último dia, comemora-se o dia internacional dos direitos humanos. Por isso, chamamos a atenção para nossa juventude, negra, indígena, pobre, que enfrenta criminalização e injustiça social.

Nossa programação é coletiva; está para a ocupação estudantil e para a greve geral; é constuída com associações, fóruns e coletivos. Nós pertencemos à universidade e à cidade. O projeto foi acolhido pelos tambores de terreiro e oferecemos luz!

Organização

Sankofa, nas culturais; Encrespa Geral, no Congós; Ciranda Materna na maternidade, na mesa sobre violência obstétrica e aborto; Professoras, professores, profissionais, nas ocupações, nos minicursos, nas oficinas, nas aulas públicas, nas conversas, nas palestras, na organização; amigas lésbicas, trans, mapôs, vadias, prostitutas, pretas, netas de bruxas; mulheres do movimento, do fluxo, da fruição. Todxs pelo cuidado de si, do corpo e da vida.

Responsáveis pelo projeto de Extensão: Lylian Rodrigues e Nycolas Albuquerque

Veja a Programação